29.8.11

O último postal islandês


In http://3.bp.blogspot.com/_SM2QC2Xh8z0/St51ZP7-vzI/AAAAAAAAALA/vPMy8RyqVOo/s320/hotdog1+IMG_0943.jpg
As línguas dos países nórdicos são ininteligíveis para um pobre falador de uma língua latina. Aquelas palavras intermináveis onde se atamancam várias consoantes seguidas são como agulhas que arranham a vista (ao serem lidas) e a audição (quando as escutamos). Ao que sei, os idiomas nórdicos são aparentados. Mas o islandês consegue levar a palma na bizarria. Quem não se lembra do nome impronunciável daquele vulcão que manteve os aviões em terra durante largas semanas? O mais irritante era o à-vontade e o sorriso de escárnio dos nativos quando eram desafiados a pronunciar o nome do vulcão e a palavra se soltava numa fracção de segundos – e como era possível aquele interminável nome ser dito em tão pouco tempo?
Ao andar pelas ruas era habitual esbarrar em cafés e restaurantes com nomes que eram uma composição (lá está, impronunciável) de vinte e tal letras. Já isso era suficiente para derrotar o mais paciente exercício em que se ensaiava a mal amanhada pronúncia dessas palavras sem fim, e eis que ao alfabeto pertencem algumas letras desconhecidas.
À uma, o idioma partilha com o português a profusão de acentos que enfeitam as palavras. É rara a palavra que não tenha um “o” com trema ou um “y” com acento grave. À outra, letras que são exclusivas do islandês (ao que pude saber). Não é o caso do “a” deitado em cima do “e”, que noutros países nórdicos também existe. Há o “d” com um acento que corta na transversal a parte vertical da letra que fica acima da curvatura. E um “b” em forma de aberração, um “b” que parece ter feito dieta, pois a barriga que sai do alicerce vertical não tem origem nos seus fundilhos, nasce mais acima. Como se fosse um “b” mirrado. Vim a saber depois que não é um “b” em bizarra osmose: a partida foi feita ao “p”.
Saber pronunciar estas letras incomuns era outra surpresa. Os sons ecoados de um “d” cortado ao meio por um acento ou pelo “p” anão que mais parecia um “b” sem ligação à terra eram sempre o contrário do que esperava. Havia de ser um problema dos grandes, caso saísse na rifa a emigração para a terra da negra terra. 

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