1.12.11

Adeus, primeiro de dezembro


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O primeiro de dezembro não vai ser banido do calendário. Desenganem-se os ingénuos, que depois do último dia de novembro não haveremos de saltar de supetão para o segundo de dezembro. O feriado é que vai amanhã a enterrar. Exigências dos que vieram de fora mandar em nós. Dizem que temos de trabalhar mais, senão afogamo-nos na insignificância. E mandaram o governo do momento meter a foice nas mãos (sem segundo sentido) para ceifar uns feriados dispensáveis.
O primeiro de dezembro em féretro deve causar embolias cerebrais a uns quantos nacionalistas dos sete costados e aos habituais monárquicos de gema. Para gáudio destes, e em jeito de compensação, o cinco de outubro também vai perder a credencial de feriado. Xis no totobola. Mas os monárquicos, os nacionalistas que ainda acreditam que o nacionalismo alimenta a gente, mais uns quantos agarrados ao passado que ainda põem na boca a desconfiança dos espanhóis, vão verter lágrimas de saudades antecipadas. Dirão que é uma heresia amputar um feriado que celebra a devolução da independência. Descontados alguns equívocos quando pintam a história do acontecimento em tons heroicos, alguém lhes devia lembrar que um feriado tão antigo perde o rasto na poeira do tempo. E depois há o simbolismo a que continuam agarrados: mas que serventia teríamos para a Espanha? Nenhuma.
Aliás, se não houvesse no calendário lugar à celebração da “restauração da independência”, e se tivéssemos continuado espanhóis depois do primeiro de dezembro de 1640 (correspondesse a hipótese ao rigor), a interrogação que se impõe desagua num exercício de história contra-factual: como estaríamos hoje? Disto se pode ter a certeza: não estavam os coitados dos monárquicos, nacionalistas de gema e afins a lamber as feridas que abriram quando lhes disseram que era a última vez que celebravam a “restauração da independência”.
Quanto ao demais, deixem-me ir ao fim do exercício de especulação contra-factual: tenho cá uma vaga impressão que sem o primeiro de dezembro estávamos menos doentes. Descansa em paz, ó primeiro de dezembro!
(Até que um jacobino qualquer se lembre de te ressuscitar feriado outra vez.)

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