3.1.12

A rapsódia da emigração


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O primeiro-ministro manda dizer aos desempregados para irem bater a outra freguesia – estrangeira freguesia. As esquerdas, muito ofendidas, mandam dizer que o primeiro-ministro é um frouxo. Que capitulou perante as fragilidades que tomaram conta da santa terrinha. Três comentários sobre a polémica (madraça polémica que é só uma tempestade em copo de água).
Primeiro: este governo é desastrado. Ou está mal aconselhado por quem lhe cozinha a comunicação. Há coisas que um primeiro-ministro pode pensar mas deve dizê-lo em privado, ao círculo íntimo de amigos ou à consorte enquanto janta. Não podem ser ditas em público. O público não está preparado para o choque térmico das declarações que polemizam. Um primeiro-ministro não existe para polemizar. A menos que goste de dar tiros no pé.
Segundo: quando alguém está a mais, muda de lugar. Mas ainda não percebemos as dores de parto da míngua nas regalias sociais a que estávamos (mal) habituados. A dívida pública grotesca mostra que o Estado social estava sobredimensionado. Dantes, quando o socialismo (e aqui meto também os governos PSD desse socialista dos quatro costados que é o atual presidente da república) distribua o bodo por toda a gente sem que a gente toda estivesse preocupada com a fatura endossada para mais tarde, era a embriaguez das regalias. Se havia gente desempregada, inventavam-se empregos na administração pública. Nem que fossem inúteis os empregos criados à martelada.
Terceiro: fico perplexo com o brado das esquerdas. Desconte-se a habitual retórica do combate partidário que leva os políticos a dizerem uma coisa e o seu contrário em estando na oposição e no governo. Isso descontado, uma pergunta: então não são as esquerdas, naquela prosápia habitual, que reclamam o património genético dos cosmopolitismo? Agora que o primeiro-ministro encomenda o estrangeiro aos desempregados, ser cosmopolita já não é virtude.
Desconfio que tudo isto não passou de uma encenação do primeiro-ministro. É uma tática. Ele quer semear decepções, sobretudo entre os votantes nos partidos das oposições. Para que esta gente diga que está farta da terrinha e dos mandantes e faça a vontade ao primeiro-ministro. Depois dos desiludidos emigrarem, fica mais fácil ganhar eleições.

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