5.7.12

Adorar a Alemanha (é proibido?)


In http://1.bp.blogspot.com/_k9Ya1OksjyM/S-ILLOSw3DI/AAAAAAAAA-Q/iLltc8UYqBs/s1600/bandeira.alemanha-copy-1.jpg
Talvez seja espírito de contradição. Talvez seja – o que é mais simpático – comiseração pelos que são alvo de flagelação quotidiana. Tenho dó dos que são sacos de pancada. Fico contente comigo. Por causa desta pessoal compaixão com desgraçados que são vítimas da fúria coletiva. É que já ouvi alguma gente, de mim conhecedora, insinuar, ou até mesmo dizê-lo na cara, que tenho coração empedernido. Que sou insensível aos desvalidos.
Hoje provo que é ao contrário. Pois se o mundo quase inteiro destila um ódio sepulcral aos “alemães”, e se em mim tem crescido uma gradual simpatia por “alemães”, acho-me em minoria. Primeiro, isto de fazer generalizações – lição de vida que todos devíamos ter aprendido – é perigoso. Os “alemães” não são todos feitos da mesma têmpera. Há-os de diverso calibre. Se por “alemães” querem os enfurecidos críticos referir a senhora que agora lá manda, é tomar a árvore pela floresta. Alguns asseguram que os “alemães” de agora têm a mesma pinta maléfica dos antepassados que provocaram duas guerras na Europa. Alguns até insinuam que os “alemães” estão agora a conquistar pela paz o que não conseguiram através de duas guerras.
Para cúmulo, temos sumidades como o prof. Boaventura ou o senador Soares sentenciando, sem direito a dissidência, que os “alemães” (todos, presume-se) são os culpados desta inércia que traz a Europa refém de uma crise tão demorada. Se o prof. Boaventura e o senador Soares mandassem no mundo, proibiam-se os “alemães”. Desmembrava-se a Alemanha, diluída pelos países vizinhos. E a concórdia e a harmonia estavam de regresso à Europa sem os fariseus que a consomem por dentro.
Eu, néscio talvez, quando vejo esta imagem tão binária do mundo, desconfio. Talvez porque cultive a policromia da natureza e das coisas. Desconfio. E não é da “arrogância” dos “alemães”, que a arrogância dos mastins que se atiram à arrogância dos “alemães” não fica atrás. Sem que nada o justifique, dei comigo a adorar a Alemanha – as salsichas, a cerveja, as loiras matronas, os carros (ah, os carros!), os filósofos, o cinema alternativo, até a memorabilia da Ex-RDA, a língua de trapos. 

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