13.8.12

Comer criancinhas ao pequeno-almoço é o passatempo favorito de capitalistas


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Ouvia o camarada Jerónimo a catequizar as massas num mega-piquenique na mata da Manta Rota. (A jornalista da TSF, herege, ainda foi a tempo de corrigir o nome do secretário-geral da irmandade comunista, mas a boca ia-lhe fugindo para o inaceitável: “Jerónimo Martins, perdão, Jerónimo de Sousa”, disse, meio atrapalhada.) Sem novidades, a oratória. Tiradas agressivas contra “o governo de direita” e a troika que aterrou para empenhar os pobres. Dados estatísticos com o número de empresas falidas por causa da austeridade assassina, com o consequente cortejo de gente capaz a engrossar o exército de desempregados. Mas os ricos cada vez mais ricos, as empresas dos magnatas que se apropriam do suor dos trabalhadores, guardando a fatia de leão da riqueza semeada pela força braçal dos trabalhadores.
Talvez adivinhando que a jornalista da TSF ia confundir o seu nome com o da empresa do homem que passou a ostentar a maior fortuna dos empresários cá da terra, o camarada Jerónimo atirou-se furiosamente ao Pingo Doce pelo topete de abrir as portas com descontos ilegais no sacrossanto dia em que se celebra a existência do trabalhador. A multa (trinta mil euros), um insulto perante tanta abastança do dono que passou a liderar o ranking mais odioso na existência de um comunista: o da fortuna. Porque a fortuna é hedionda – e ainda encontraremos, num dia que não andará longe no calendário, uma santa aliança entre os camaradas que abominam a riqueza e os bispos e arcebispos que, ó fraca memória, participam a imoralidade da abastança de um punhado de gente. (Pois a fortuna só é moral quando a igreja se açambarca dela.)
E eu propunha um cenário imaginário, apenas imaginário, mas que reproduzisse consequências na carne do cidadão comum: que se extinguissem os ricos, os que ousam colocar empresas no mapa da produção. E, de uma assentada, vermos o emprego a ser apenas uma memória do passado. Às vezes, tenho a impressão que os camaradas que ainda suam saudades da foice e do martelo hasteados na Moscovo de outrora não defendem quem dizem defender.

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