13.11.12

Olho por olho, dente por dente


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As vinganças todas, depostas no sopé de uma fogueira, nem para o crepitar do lume servem. São uma presunção que desgasta o tempo útil. Há alguma serventia num plano que devolve maldades a quem as encomendou antes? Pode alguém tomar-se na plenitude de si só de saber que o revanchismo dobrou de finados e, à laia de bruxedo, alguém tropeçou nos seus próprios sobressaltos? Quando alguém perde um pedaço do corpo por ação de uma malvadez exterior, não a resgata ao obter o mesmo efeito junto de quem praticou a malvadez. Não há recuperação de danos. Que ninguém acredite que o vazio se preenche com a bestial sensação do vazio devolvido a quem soçobrou numa represália. O sangrar de uns não é sangue vivo injetado noutros. Uma sangria é líquido que se perde, ninguém o pode açambarcar. Iludam-se, os fautores de represálias. E se por acaso vindicarem glória depois de testemunharem a angústia da vítima, será erro de perspetiva ou glória vã. Cozinham a sua amargura num ácido que a ninguém aproveita, a não ser para gastar por dentro quem nele se deitou. A gente embestada precipita-se no conciliábulo onde se transacionam vinganças. Umas são cometidas pelas próprias mãos. Os algozes prontificam-se ao prazer espúrio da vítima que se esvai em sangue às suas mãos. Purificam-se na bestialidade, o que não é purificação nenhuma. Outras são encomendadas a mercenários ou a bruxos que se propagandeiam infalíveis. Os algozes, incapazes ou apenas consumidos pela tremenda covardia, sentam-se na tribuna de onde assistem à luta desigual. Os próceres que se especializaram na comezinha vingança em nome de outrem tiveram o tirocínio que não foi dado a usufruir pelas vítimas. É a sublime covardia, a dos mandantes espetadores sossegados de uma luta desigual. O pior está para vir: de tantas represálias mercadas, as vítimas e as que poderão um dia sê-lo antecipam seu tirocínio. A luta deixa de ser desigual. Mas será mais sangrenta. Não se augura nobilitante destino quando a espécie se debate neste manto de mesquinhez.

1 comentário:

Vida Ribeiro disse...

TENHO MEDO DO QUE ESTA ACONTECENDO COM A FALTA DE HUMANIDADE, ISTO É PENA DE BABILÔNIA... (Pena de Talião, consiste na rigorosa reciprocidade do crime e da pena apropriadamente chamada retaliação. Esta lei é frequentemente expressa pela máxima Olho por Olho, Dente por Dente. É uma das mais antigas leis existentes).