8.2.13

O vitivinicultor da publicidade ardilosa

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Conta-se que o famoso vitivinicultor trocou as voltas aos admiradores numa feira de vinhos para o povaréu em geral. Os visitantes podiam provar vinhos, os vinhos que quisessem, por uns dinheiros simbólicos. Conhecedores do ofício eram poucos, que esses se reservam para eventos profissionais. Havia muitos amantes da bebida (podiam lá perder oportunidade de apanhar a bebedeira por uns dinheiros simbólicos?). E havia uns janotas que se julgam conhecedores da poda sem todavia saberem que o seu conhecimento se esgota na leitura de uns artigos de jornal onde são debitadas as preciosidades vínicas que, à custa de tantos encómios, são vendidas como se de ouro se tratasse.
Mal entravam no recinto, ato contínuo estas personagens da burguesia urbana dirigiam-se ao sítio onde o famoso vitivinicultor os esperava para a degustação do dispendioso vinho. Os amadores seguravam o copo na mão, extasiados por provarem o néctar com preço (dizem aqueles a quem o vinho diz nada) obsceno. Saciavam-se com a qualidade superior do tinto vinho servido no copo. Os adjetivos em forma de elogio esgotavam-se se o vitivinicultor os anotasse numa folha de papel.
O que os provadores não sabiam é que o vitivinicultor, ecoando a fama de génio louco, tinha esvaziado as garrafas onde estivera alojado o vinho tão desejado, vertendo nelas vinho corrente. Tão amadores, os provadores desfaziam-se em panegíricos ao experimentarem um vinho medíocre. O vinho estava entornado. Foram ludibriados pelo marketing experimental, ardiloso e um pouco fraudulento do famoso produtor. Conta-se que o vitivinicultor só segredou a astúcia à consorte. Ao deparar com a reprovação da senhora, o homem terá dito: “se comprarem deste vinho, vão perceber que ele ainda é melhor que o vinho que provaram na feira. O meu marketing só pensa no bem-estar dos consumidores.
Conta-se. Só não se sabe ao certo se foi verídico ou se não passa de mito urbano. É que, depois de tudo isto, a consorte do vitivinicultor deixou de o ser. Também se conta que foi o seu enfado que pregou esta história às más línguas.

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