15.7.13

Bandeira queimada


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Para os nacionalistas acérrimos: já somos uma pátria que conta no concerto das nações. A bandeira da república foi queimada por um bando de seguidores do presidente da Bolívia. E como costuma acontecer apenas aos países que são poderosos na cena internacional, poderão concluir que passou a pátria que tanto vos comove a pertencer ao reduzido escol dos países que contam. Pelos dias que são estes, com tanta falta de autoestima pátria e uma crise que altera as consciências, tamanho gabarito não é de somenos importância.
Afinal temos um governo que não faz as coisas em cima do joelho. Isto é governação em estado puro, calculismo como só os mais pérfidos conseguem idealizar. Quando o ministro dos negócios estrangeiros (ainda em estado demissionário) não autorizou o avião privado do presidente boliviano a aterrar para uma escala técnica, estava tudo planeado como deve ser. Ele antecipou que o regime folclórico da Bolívia, com o apoio solidário dos outros lideres da região, não ia calar as dores. A retórica do colonialismo seria reaquecida. No fim de um incidente diplomático que podia ser evitado se o ministro dos negócios estrangeiros não fizesse tantas vénias aos Estados Unidos, talvez houvesse uma probabilidade mínima de a turba ululante (que, em sendo bom povo, decreta a vergonha sobre os “americanos”) incinerar a bandeira lusitana.
Aos nacionalistas exaltados: há males que vêm por bem. A humilhação de verem a bandeira (por que admitiram morrer em pleito) a ser queimada por um bando folclórico trouxe uma compensação. Não há maior manifestação de grandeza de uma nação afirmada nas janelas que se projetam sobre o teatro internacional do que vê-la queimada por um bando de tiranetes aprendizes.
O acontecimento haveria de trazer outra prenda encomendada: o guru da extrema-esquerda modernaça, adepto dos líderes populistas latino-americanos com duvidosas credenciais democráticas, o professor Boaventura, serviu-se das páginas do Público para pedir, em carta aberta em nome de uma (por ele discernida) maioria de portugueses, desculpa ao grande democrata Morales. Como dizem os sábios, “salvo melhor opinião”, parece que uma certa boçalidade de raciocínio se apoderou do espaço público onde desfilam as notoriedades a quem é pedida opinião. Deve ser do muito calor dos últimos tempos.

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