21.8.13

Confirmação da tese do capitalismo suicidário


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Preparem-se: os vossos dias de abundância estão a chegar ao fim.” (Pintado algures numa parede da cidade)
Os companheiros da extrema-esquerda é que a sabem toda. E nós, como sabemos que eles, e só eles, são letrados e versados em cultura, inclinamo-nos perante tanta sapiência. Nós, os que não somos de extrema-esquerda nem de esquerda alguma, e que não somos capitalistas porque vivemos remediados, em parelha com os abjetos titulares do capital em abundância, ainda não percebemos a presciência da extrema-esquerda. Devíamos aprender com eles, sobretudo quando resgatam Marx do túmulo e o envernizam com as cores da modernidade. Tanto, que fazem furor filmes de ficção científica que prolongam o socialismo para o século XXII, ou o socialismo com o verniz da inveja que por aí se vê quando um rapaz muito endinheirado vem dizer umas coisas que são tidas como alarvidades sociais.
Esta crise é mais um oráculo dos videntes que nidificam naquelas paragens. A frase que serve de mote, e que estava pichada numa parede em letras visíveis, iluminou a lucidez. Um qualquer pintor de serviço, encontrando-se em dia de verve, avisou os dementes capitalistas: os dias de abastança estão perto do fim. E com o fim da abastança é o ponto final dos abastados. E do capitalismo.
Atendendo às provas irrefutáveis apresentadas pelos pais intelectuais da extrema-esquerda, a crise que não nos larga foi causada pela avareza social dos capitalistas e dos salvos-condutos cegos passados à banca. É a mesma crise que, avisa o pintor de serviço, talvez vertendo na parede a encomenda de um guru da seita, vai acabar por comer os capitalistas na sua ganância sem medida. Ou seja: vão acabar envenenados pela mesma cicuta que deram a provar ao resto do povo. É a vingança fria em honra de todos – e foram tantos – servidos no altar sacrificial dos ricos desapiedados.
E assim se confirma uma tese que não era perfilhada pela malta da extrema-esquerda (era por outros radicais, situados no lado de lá, que se entristecem com a cegueira de capitalistas que não passam de patos-bravos). Eis a tese: estes capitalistas nem percebem que cometem suicídio. Com a ajuda silenciosa dos governantes que não se cansam de fazer obséquios em nome de confessáveis (mas de duvidoso gosto) e inconfessáveis propósitos. De tanta sede de engrossar a abastança, e de nada mais verem a não ser o amanhã próximo do lucro fácil, estes patos-bravos podem acabar por acabar com o capitalismo. Depois de acabarem na frugalidade monástica quando os proventos secarem. 
O que virá a seguir não será de bom augúrio. 

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