8.10.13

Sem cessar de lutar


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Incansáveis lutadores. Lutam pelo direito que é seu, pelo maior bem de que acham ser tutores (e únicos tutores): o de continuarem amarrados ao fio da vida. Por vezes, o fino é ténue. Não se intimidam. Arregimentam as forças maiores onde o comum dos mortais julgaria ausentes. Trepam penedos. Nadam as águas alterosas, desalfandegando energias que se outras fossem as circunstâncias diriam não serem suas. E tiram retratos do futuro que ainda será seu. O tempo não lhes é baço. É o farol de onde irradia uma centelha que derrota a capitulação.
Podem ser doenças. Podem ser frágeis nascituros que olham para o dia vindouro como se fosse a válida vitualha que leva a outro, e depois a outro, e sempre assim. Podem ser outras empreitadas, já não tão vitais como a vida se encerra, das que jogam um trunfo nos desafios que crescem pelo interior. É a teimosia mais saudável que podem os sentidos conhecer. Uma aurora boreal onde se convencionou que não existem auroras boreais. A espada escura, que traz vestígios de outros ensanguentamentos, reduz-se a uma miséria insignificante. O braço da tremenda vontade dos lutadores nem precisa de ostentar generosa massa muscular: a vontade trata de colocar as coisas em seu devido lugar. Os ventos frios, os ventos que se insinuam na ossatura e prometem maleitas perenes, os ventos que anunciam a força letal da espada escura, são desviados pelo braço volitivo.
O homem causticado pela doença crónica; o nascituro que nem ainda sabe o inteligível do mundo; o teimoso que defronta medos à medida que emancipa seus projetos ousados – todos se refrescam na bruma matinal que esconde os sortilégios da vontade indomável. As mangas arregaçam-se e os monstros que estejam de atalaia, preparados para uma armadilha, que se cuidem. Os lutadores não se dobram sem que a vontade que na sua esbarrar seja ainda mais indomável. O que não se vê que seja possível. Pelo menos enquanto as forças forem o fermento da luta incansável.

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