7.5.26

Dizer, prego a fundo, e praticar

The Sundays, “Here’s Where the Story Ends”, in https://www.youtube.com/watch?v=FHsip5xOenQ

O motor não pode arrefecer. A luz é sempre vívida, mesmo que anoiteça, mesmo que os corpos, dormentes, esmaeçam pelo cansaço. Não há tempo a perder – e, se há algo em que somos pródigos quando estamos sitiados pela anestesia dos sentidos, é perder tempo. Os verbos conjugam-se no tempo válido. Um dia bom é aquele que passou a correr, sabendo que corremos ainda mais depressa do que ele. Sabendo que não foi perda de tempo.

Podem os argonautas do medo atirar adversativas para cima da mesa, escolhendo a tibieza como modo de proceder. São os que, timoratos, abrandam a marcha, tergiversam, amedrontados com uma rampa inclinada, só faltando meter a marcha-atrás para não serem reféns de um precipício todavia apenas imaginado. São eles que congelam de medo, sem premir o gatilho da roleta-russa. Os que empatam a vida, as vidas. É contra estes testamentários da usura que devemos carregar a fundo no acelerador. Cobrindo com uma velocidade estonteante os caminhos que nos separam de uma empreitada.

Por isso, prego a fundo. Sem ficar pela teoria; muitos são os intrépidos argonautas que apressam intenções ousadas e ficam-se pelo esquecimento, ou não conseguem arregimentar as forças necessárias para validar a coragem. As intenções são só o primeiro passo, o mais difícil. Mas não é suficiente. As intenções que não passam à prática acabam por valer tanto quanto as de quem se amedronta com a hipótese de acelerar todo o mundo à sua volta, a começar por si próprios.

Se o prego não for a fundo, o futuro será colonizado por um prego avulso e destemido, que aproveita a apatia para conspirar. A validade não se objeta na velocidade desenfreada que procura amputar a efemeridade do tempo que nos é creditado. Sem ser preciso um curso de condução desportiva. A lucidez de cada um é o critério para medir a velocidade vertiginosa. Sempre de prego a fundo, para não ser vítima da usura da apatia.

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