12.5.26

O que temos a dizer sobre a pose “à patrão” do senhor vereador?

Angine de Poitrine, “Mata Dyklek” (live Ubisoft Rooftop Session), in https://www.youtube.com/watch?v=Ws3EAdMpEVA

Faz tudo girar à sua volta. Gesticula, desmesuradamente. Ordena, e o séquito obedece. Dinamiza. Cumprimenta as “personalidades” que estão acima do seu estatuto, pois a sua visibilidade é local e a das personalidades é nacional (e até internacional) – mas não perdem pela demora, a sua especialidade é atravessar degraus e ufanar-se disso. É cumprimentado pelos aspirantes que não escondem as suas intenções e sabem que têm de cair nas boas graças do edil (o que engrandece o seu pequeno poder grande). 

É a sua vez de subir ao palco, substituindo a chefe. Nota-se que o perímetro do peito engordou e que só respira vaidade. O frenesim do olhar frenético, o olhar que gira constantemente em todas as direções a uma velocidade insuperável, recrudesce: tem de perscrutar todos os outros que estão de olho nele, anotando mentalmente os que o olham com aquele ar embevecido próprio dos imbecis que descem ao estatuto de serviçais para depois poderem colher os frutos ambicionados. 

Detém-se com mais demora nos olhares dos outros que o olham, dos desconhecidos que o fitam, atónitos, e dos conhecidos com visibilidade superior à dele que se perguntam, divertidos (sem que o edil se aperceba), “quem é aquele?” A cada protagonista que se apresenta diante do público para receber uma ovação, ele mete conversa. Não disfarça a largueza corporal, coerente com a excentricidade da pose “à patrão” que alardeia abundantemente. Um sociólogo amador faria o diagnóstico célere: em linguagem corrente, e não tecnicamente validada, este indivíduo saiu debaixo de um calhau. E agora compensa, no exercício da sinecura.

Ao edil deve passar pela cabeça que, perante o sexo feminino, tem de parlapatear o charme irresistível dos galãs. Desfaz-se em sorrisos marotos, meneios de cavalheiro que disfarçam a pose soezmente marialva, um sussurro evitável que, invariavelmente, causa desconforto à senhora visada. 

Quando sobe ao palco e empunha o microfone para encerrar a função, um pequeno, mas ruidoso, exército de seguidores aplaude freneticamente cada frase proferida (como se estivesse numa reunião da claque, a que se costuma chamar “comício”). Essa é a praça favorita do edil que, a cada dia que passa, engorda a pose “à patrão”.

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