The Horrors, “The Silence That Remains”, in https://www.youtube.com/watch?v=EMq4_-1HSc0
“Searching the streets for directions
the endless life
emotion never shown.”
Emudeço o polido rosto que se oferece ao apocalipse. O ruído do dia aquece o sangue túrgido que se amontoou na periferia da pele. Às vezes, leio o estuário para saber se o silêncio se sobrepõe ao dever de falar.
Nos lugares puídos de que não consigo fugir, entrelaço os dedos num tecido quimérico que me chega às mãos sem ter paradeiro. Os vultos que se alistam no horizonte, ajuramentando-se como fingidores que só esperam a hora certa para avivar os contratempos espelhados, estão de atalaia. Não se demovem dos propósitos e sobem ao palco em silêncio, escondendo-se no umbral das sombras que se encenam. Nos bastidores, escreveram nas paredes o manifesto que me amarra ao precipício.
Sem costurar o medo servil, tomo as rédeas do precipício. Já que não consigo dele fugir, ao menos que seja meu cúmplice. Não é um ardil para fintar o precipício prometido; é como procurar um notário que ateste uma condição merecedora do aval das leis, sem o notário a condição fica por reconhecer. Poderá ser um vespeiro que vou descobrir no âmago do precipício, ou apenas o magma em combustão que atiça a temperança dos dias vindouros. Não se entrega a alma à primeira contrariedade.
(Nem à segunda, ou a terceira, ou.)
Deixo para outro tempo e outro lugar a indagação sobre as conspirações que se movem em contramão. Sou eu quem segue no sentido certo. Mas as conspirações não se desligam dos propósitos e continuam a invadir a via contrária. Quem as inspira evita as regras, atropela-as intencionalmente. Mas ficam sem punição. Se os que circulam no sentido certo forem atingidos por uma contrariedade contra eles conspirada, é dessa punição sem lugar nas leis que são presas sem esconderijo. A menos que as conspirações sejam apenas o suor do medo traduzido em fantasmas com paradeiro em pesadelos sem data.
Por isso marejo rua fora a mercadejar as palavras-símbolo que me protejam contra os precipícios que venham a calhar no meu caminho. Destilo o desmedo que cavalga sobre os penhascos e não me despenho no vazio que espera pelas vítimas. Deixo de ter as conspirações por conta e esconjuro as esperanças dos vultos afamados.
Minha é a malha em que se tece o meu destino. A mim compete reservar o direito de admissão aos medos que possam ser presença. Nem que deles diga o silêncio estrutural palavras que falas nenhumas consigam articular.
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