19.9.11

Stand up politics


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Só há esta saída: às desgraças que se repetem, àquelas desgraças que empurram o alçapão ainda mais para baixo, sonoras gargalhadas. Quem as reprimir fica preso nas teias de uma depressão maniqueísta. Esmagados perante estas desgraças, é preciso rir. Rir, parafraseando Mário de Cesariny, “(N)o riso admirável de quem sabe e gosta/ter lavados e muitos dentes brancos à mostra”.
O cambalacho da Madeira é o fio da meada. Um buraco orçamental do tamanho de todos os precipícios que se despenham a pique desde os altos promontórios da ilha. Diante do escândalo, um Jardim crucificado. Já esta crucificação soava a falsete, pois muitos dos seus intérpretes deram para o bodo da prodigalidade orçamental, e o Jardim, apesar de crucificado, atirou-se aos colonizadores do continente. Se ele não se endividasse como se não houvesse amanhã, o continente tinha esfarrapado a massa e os madeirenses eram uns pelintras. Muitos enojam-se e chamam nomes feios ao Jardim. O mal deve ser meu, que encho o rosto com gargalhadas tanta a pilhéria distribuída de graça.
E já a barriga se condoía de tanta gargalhada junta quando aterrou a pré-apoplexia motivada pelo cansaço da risota. O novo líder socialista, com o costumeiro ar de bebé chorão e aquela pose de seminarista de alpaca, protestou a mais indignada vergonha pelo regabofe madeirense. Atrás dele, a pandilha socialista com acesso aos jornais chorou o seu pesar, o dedo em riste contra a luminária a alguns chamam “Soba da Madeira”. Mas talvez sejam lágrimas de crocodilo.
E eu não sei. Não sei se a memória é curta, tão curta que a pré-bancarrota em que o querido ex-líder nos deixou em legado se tenha apagado da memória das nulidades socialistas. Não sei se apetece chamar nomes tão feios como os que atiram ao Jardim da Madeira. Ou se apenas rio com os “lavados e muitos dentes brancos à mostra”. Não é todos os dias que um líder socialista e um interminável, acéfalo séquito confessam a inutilidade do PS na paisagem da política doméstica.
Nem que seja por isto, um bem-haja ao Jardim sem vergonha.

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