“Crack a smile and cut your mouth
and drown in alcohol
‘cause down below the truth is lying.”
A piada era ser como Dionísio e aplicar a teoria do espelho para ir buscar um bumerangue a uma destas partidas lúgubres que subiram ao púlpito da moda. O encarregado de negócios da embaixada seria responsável pelo livro de atas e de nele anotar os termos da reunião. Dionísio nunca ficaria a perder. Sem ele, as partes envolvidas estariam niveladas (assim manda a sagrada igualdade).
Perante um óbice maior, as mãos uniam-se para removê-lo. Era quando se percebia que da cooperação medram os avanços palpáveis. E mesmo que uns sejam mais ganhadores do que outros, ninguém pode legitimamente acusar o pleito de ter gerado perdas tangíveis. Será uma forma de amputar uma doença pueril que criou raízes com alguns protagonistas coevos: dobrar o braço ao adversário até o torcer e sair ufano para que a audiência testemunhe a testosterona dos vencedores.
Hoje deixou de contar a lealdade, o sentido epicurista de quem aceita colaborar com os outros por intuir que não é a rivalidade que os move. Alguns, iludidos pelos efémeros ganhos e pela visibilidade que não sabem estar condenada à rápida dissolução, apostam-se competitivos. Estabelecem que a competitividade é intrínseca à natureza humana. Confundem os termos, provavelmente radicando no também ilustre desconhecimento da História e de um módico de Filosofia. E assim prosseguem o seu caminho, agarrados às certezas categóricas, os melhores candidatos à súbita deceção.
Quem é a sua guarda de honra? São eles próprios, admirando o envelope que os cobre e esconde a fonte de que provêm. A urgência em saírem do anonimato atira-os para uma visibilidade que lhes será, mais cedo ou mais tarde, malsã. Os asininos pressentimentos cobram do futuro um lugar que ele não garante. Frequentemente desenganados quando o tempo esperado acontece, refugiam-se em pretextos, preconceitos e toda a estultícia que não os confunde com o ontem de que partiram.
Sua é uma partitura puída, feita dos restos da entronização de um eu acima dos demais, como se acreditassem na sua predestinação e não soubessem que, a esse respeito, a igualdade é um genuíno genoma da democracia, nivelando todos por baixo. Passam o tempo todo a fingir, mentindo a si mesmos. Não admira que celebrem Dionísio, quando deviam ser o festim onde são a carne para canhão de quem os arregimenta para o papel de idiotas úteis.
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