23.7.13

Da série “análise política muito à frente”: Cavaco redescobriu-se. É amigo do PS



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Dez gratuitos dias de crise sob a batuta de sua excelência, Cavaco de Boliqueime. Dez dias deitados fora. Sua excelência procura negar a evidência e doura a pílula, exortando os cidadãos a serem compreensivos com as suas intenções. Cavaco, o de Boliqueime, ficou contente apesar de os partidos que convocou ao entendimento não terem feito a vontade. O que sobra de bom, para Cavaco de Boliqueime, é que os três partidos “que representam 90% dos deputados” (registe-se a ênfase) se sentaram à mesa para negociar. Coisa inédita. Agora ficámos mais parecidos com os 75% dos países de média dimensão da União Europeia onde os governos são cozinhados de coligações alargadas, como sua excelência tanto ambicionava. Como se tudo o que se copia do estrangeiro seja credor de merecimento, sem fazer dos imitadores incorrigíveis saloios.
Cavaco de Boliqueime pegou nas cartas para refazer o jogo. Baralhou-as e repartiu o mesmo jogo, sem tirar nem pôr. Está é a análise consensual dos que se dedicam a decifrar a política caseira e, tarefa mais espinhosa, o discurso e o pensamento de Cavaco de Boliqueime. Os cônjuges do governo rejubilaram. Vão continuar a governar (mantendo-se até ao fim do tempo as sinecuras que agora são suas) e estão convencidos que não houve “salvação nacional” por causa da teimosia dos socialistas. Estes estão incomodamente resignados. Queriam deitar a mão ao poder o mais cedo possível, dizendo uma coisa (“interesse nacional”) que é eufemismo para o que nela se esconde como intenção (chegar ao poder o mais depressa possível e satisfazer as muitas clientelas que já sonham com cargos vários à sombra das sondagens que lhes são simpáticas).
E eu tenho a impressão que as reações estão equivocadas. Cavaco de Boliqueime fez um favor milionário aos socialistas. Só não sei se Cavaco de Boliqueime sabe que acabou de fazer esse favor com a estrangeirinha que montou durante dez inúteis dias. Eis as coisas na sua perspetiva futura. Primeiro ato: este governo vai continuar até ao fim dos dias que lhe estão destinados, com a bênção contrariada de Cavaco de Boliqueime. Segundo ato: embebido na incompetência que lhe é genética, o governo (e os partidos nubentes) vão continuar a fritar em lume brando até à véspera de eleições. Terceiro ato: mais e mais votantes, cansados dos partidos que agora governam e achando que a política caseira é binómia (se não é o PSD tem de ser o PS), vão querer votar nos socialistas só para punir quem tanto lhes pisou os calos nos últimos dois anos e meio (e nos próximos dois anos e meio). Quarto ato: arriscamos – e a palavra é para ser levada no seu sentido literal, de risco no que risco significa de problemático – a ver os socialistas triunfar nas eleições de 2015 com maioria absoluta.
Nesse dia, os socialistas não se podem esquecer de agradecer, e penhoradamente, a sua excelência Cavaco, o de Boliqueime. 

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