The B-52’s, “The Deadbeat Club”, in https://www.youtube.com/watch?v=JXy0XnzTQuc
Sobram as palavras nas entrelinhas. Um modesto pacto contra o silêncio. Sem a exuberância das falas copiosas que se esgotam em quase nada quando a intenção das palavras é apurada.
Olhares também servem como sucedâneos das palavras. Interrompem o silêncio sem precisar da fala. Especialmente entre os amantes; especialmente quando os amantes se amam e os corpos são embaixadores das palavras que, por mais destras que sejam, não traduzem a linguagem vertida pelo amor.
Estar presente quando a ocasião justifica a presença não é um acaso. A ausência seria como um desterro voluntário, tida como uma punição, ainda que por omissão, de quem se devia prestar tributo. A ausência tatuada a fogo, a ausência que não é remível, convoca as palavras derradeiras que são como um legado póstumo lacrado na sepultura. Os que se mantêm vivos querem o conforto de acreditar que assim é. Sua será a vez futura de se acharem do lado oposto e acreditam que serão gratas as homenagens que lhes forem consagradas. Esse é um turno a que ninguém escapa.
Entre o sortilégio do amor e o dissidio da extinção, a subtração avaliza uma longa temporada em que se funde a validação das palavras com os silêncios metódicos que as substituem. Parcas as palavras que se congeminam na consagração de sentidos plenos; esvaziadas as palavras prolixas, fica o ruído bruto que distrai da finalidade que lhes é imputada – terem um sentido. O resto é cobrado nas entrelinhas, na lógica averbada pelas palavras ambíguas, nas intenções afetadas às meias palavras, porque nem tudo exige clareza e a semântica não se esconde dos enigmas quando a fusão de falas e silêncios se assemelha às palavras cruzadas.
Só depois de cruzados os sentidos múltiplos das palavras e dos silêncios é que se podem desfazer as incógnitas. Não é uma charada; é outro sortilégio: jogar com as palavras e os silêncios, deitando na lousa os possíveis significados para deduzir aquele que leva vencimento. Às vezes, nem assim se previne os mal-entendidos.
Dantes, havia antepassados que falavam por sinais de fumo e ainda não tinham inventado os serviços secretos (e os políticos laudatórios que claudicam sob as esporas de oratórias gongóricas).
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